Uma coisa parece ser certa, uma coisa gera unanimidade. Há corrupção no desporto, há corrupção para lá de, há globalmente falando uma corrupção geral. Num país com uma herança de atitudes, de inquietações e expectativas vindas do estado novo, onde a ideia de casinha pequenina é objectivo, onde a falta de formação das pessoas, nomeadamente as que ganharam a sua notoriedade nessa época e que são hoje as caras dos nossos dirigentes, não os empresários, mas sim os patrões, porque a ideia empresarial, a ideia de pensar para lá do necessário, não passou ainda por um 25 de Abril.
E o exemplo maior disso é o nosso futebol, que tanto se joga fora dos estádio, hoje cada vez mais nos tribunais. A crise de valores que o nosso país atravessa não tende a encontrar solução, muito pelo contrario, quando constatamos que os castigos deste “apito final” se direccionam somente a algumas instituições e 3 ou 4 pessoas, temos que concluir que o país continua a preferir apontar o dedo ao superficial e evita ir ao cerne da questão.
Este nevoeiro em que vivemos diariamente, esta inércia, este medo de inscrever é um reflexo da nossa mentalidade, que esquecemos de ano para ano os graves acontecimentos que poluem a nossa sociedade e essencialmente as nossas referencias e as referencias dos nossos filhos.
O que interessa hoje é vencer, mas não interessa como, eticamente somos um país ao nível de uma Angola ou outro país onde o povo tem pouca participação na democracia. Afinal, a ideia de patrão, de capataz, de chefe, impera nas nossas instituições, estrangulando constantemente a capacidade de desenvolvimento e de abertura.
A falta e o medo de opinião, o medo de ser irreverente é uma realidade.
Tudo isto para dizer, que nos meus inocentes quase 29 anos de vida, tive um clube gerido por patrões, à excepção de um Presidente que muito admiro e que ele mesmo foi vitima de uma definição de semântica.
O Dr. Dias da Cunha é o exemplo maior de um dirigente com cultura, algo que o país não está preparado a aceitar. Tem opinião, tenta ser irreverente, tenta mudar e anular este nevoeiro que nos turva o desenvolvimento do futuro.
O sistema é isso mesmo, um conjunto de patrões que lutam contra a inserção e a participação de uma ideia empresarial no mundo do futebol, pois isso leva á criação de regulamentos mais rigorosos o que impede a abertura de portas e anula a palmadinha nas costas e o favor.
Enquanto assumirmos este patronato, não só no futebol, como nas nossas empresas, o país real e o país do futebol não se vai desenvolver e tende, por ordem dos tempos, pelo desenvolvimento lógico da época actual, a apodrecer.
Dr. Dias da Cunha, o meu grande bem aja, para um português em vias de extinção. Para um dirigente desportivo que tentou dar um rumo não só ao clube do seu coração, mas que entende que o desporto não é só um jogo de equipa, é um jogo de adversários, que disputado com regras pode ser muito lucrativo e criador de bons valores.
Hoje sinto ainda mais orgulho em ser do Sporting.
1 comentário:
Confesso que não sou fã da gestão Dias da Cunha. Mas que foi um dos pioneiros no que se refere a por o dedo na ferida da corrupção no futebol, não há dúvidas. E que na altura, também por isso, foi incompreendido, também não. Honra lhe seja feita, pela frontalidade que sempre teve e porque é um grande sportinguista.
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